Batom vermelho
Apago o que escrevo, porque vogal em vão. Falta trans(piração). A palavra certa. O toque hot, sangue, quente, naquele momento sublime e inesperado. Falta jazz e aquele passo quase tango que faz o calor subir até o rosto e rosar.
Corar. Porque o coro tá tão distante daquele choro gostoso de chorar. De gozar a palavra molhada. E escrachada.
Tem faltado o grito afinado quando se canta feliz e despretensiosamente, mas com voz suficiente para ir além da nota e do tom. Nota-se falta de energia e timbre e blush, quando o cílio adormecido. E, fato, o olhar está mais para peixe morto e a voz muda e seca e monossilábica.
Talvez, a ausência de figurinos e personagens tem mantido o corpo na sombra, apagado. Porque é e sempre foi importante para mim, vestir-me de outras fontes e desbravar sempre novos cenários. E itinerários…
Tem faltado maquiagem. E aquele olhar que tudo suga.
Canto, porque canário. Choro porque gaiola.
(Música: Regina Spektor)
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